blog Ateliê Criativo

Ilustração científica

por Bruno Sampaio

Resultado de muita pesquisa, observação e técnicas diversas,
os desenhos científicos são caracterizados pela precisão e pela didática
.

Nem a fotografia supera a precisão e o potencial didático e ao mesmo tempo "romântico" das ilustrações científicas. Afinal, na ilustração científica é possível "idealizar" cenários e situações, suprimindo informações desnecessárias ou confusas, e também dando ênfase ao que realmente importa. Na fotografia isso seria muito mais difícil.

Para ilustrar esta ideia, imagine a representação de um esquema com procedimentos de uma cirurgia no cérebro humano. Você acha que ficaria mais bem representado com foto ou com ilustração?

Este é um trabalho de muita responsabilidade, afinal a representação imagética é parte essencial do treinamento do médico, que precisa deste tipo de informação com a máxima clareza, o que justifica a preocupação com a precisão e com a didática neste discurso visual.

No exemplo proposto, imagine como ficariam as fotos. Uma vez que a representação é realista - no sentido literal da palavra - as imagens apareceriam cheias de sangue e tecidos, veríamos a mão do cirurgião e todo aquele caos inerente à realidade de uma cirurgia. 

Neste ponto é importante ressaltar que não faço uma oposição à representação fotográfica, mas estou sugerindo filosofar sobre o propósito de comunicação, que no nosso caso hipotético é ensinar novos médicos a aprender um procedimento.

Neste caso específico, as fotos não são o resultado final, mas são fundamentais como parte do processo de comunicação que além das fotos , utilizará também vídeos, outras imagens e orientações verbais.

No fim, toda essa pesquisa e estudo resultarão em uma ilustração que resume tudo em um discurso visual muito mais pregnante e instrucional - "idealizado", se preferir.

A ilustração científica é diversas vezes associada ao hiperrealismo, embora não estejam necessariamente associados. Apesar de ser largamente usada para representar instruções de taxonomia que exigem certo hiperrealismo, as ilustrações científicas podem ser simples no acabamento.

São utilizadas também para representar esquemas abstratos e conceituais, como a espiral do DNA, por exemplo, que até este mês nunca tinha sido fotografada. Pois é! Todas as hélices de DNA que você viu até dezembro de 2012 eram ilustrações, e provavelmente continuarão sendo ilustrações por um bom tempo, até que a tecnologia de captura e manipulação fotográfica evolua e possa "competir" em realismo e qualidade de representação com as ilustrações científicas. 

Hoje já vemos trabalhos maravilhosos de ilustração científica feitos com técnicas digitais e manuais integradas, e que envolvem inclusive o uso de fotos, vídeos, infografia, animação e até holografia. É possível prever que num futuro próximo o conceito de "ilustração científica" não esteja mais relacionado com a técnica de representação, mas principalmente com o propósito didático na comunicação.

Fora da Academia Científica, o mercado também usa técnicas de ilustração científica para vários propósitos, desde decoração de interiores até para compor manuais, e outras ilustrações com teor instrucional.

Luciane Mori é especialista em ilustração científica. Em 2007 participou do curso de extensão oferecido pela Universidade Estadual de Londrina e ministrado pelo ilustrador e médico Sergio Russo. 

Sergio Russo faleceu em 2010 e foi um grande mestre, além de ser um expoente da ilustração científica no Brasil e no mundo.

Sergio Russo foi responsável por ensinar muitos profissionais da ilustração sobre os cuidados envolvidos na elaboração de desenhos instrucionais. Seus cuidados com a técnica e com a estética são uma inspiração para trabalhos de ilustração que Luciane Mori e vários outros "pupilos" desenvolvem no cenário editorial.

Abaixo, separamos algumas galerias com trabalhos de ilustração científica de Luciane Mori.


GALERIA 1
Ilustrações médicas

Trabalhos desenvolvidos sob orientação do
professor, médico e ilustrador Sérgio Russo.


GALERIA 2
Estudos com Peroba-rosa

Estudos realizados para o trabalho de conclusão de curso.
Usou como objeto a Peroba-rosa, símbolo da universidade
onde se formou, a UEL, em Londrina.

 

GALERIA 3
Ilustrações didáticas

Trabalhos desenvolvidos para o projeto
Sistema de Ensino da Editora FTD.