blog Ateliê Criativo

#14 Códice cotidiano | Galvão Bertazzi

Muitas coisas me cativam nas artes, entre elas, aprecio especialmente o seu poder de revelar o trivial, de pôr em destaque aquilo que de tão repetido já não chama a atenção. A beleza está aí, no olhar instigante, capaz de propor um sentido novo na habitual paisagem cotidiana. Galvão Bertazzi – cartunista, pintor, escritor, editor, produtor, músico, etc. – faz isso com muita acuidade e ironia. Me divirto com o tom satírico e profundo nas tirinhas que compõem a Vida Besta, gosto ainda mais da estética grunge que vejo nos trabalhos do Galvão.

Nas pinturas aqui apresentadas o traço marcante de Galvão se volta para uma dimensão mais misteriosa da existência. Com essa pegada ocultista Galvão nos coloca diante de um universo repleto de significados, por vezes evidentes, outras vezes escondidos entre camadas de simbolismo.

Obras feitas com tinta acrílica e marcador em lona. Use as setas para passar as fotos.

Os pergaminhos, apinhados de mensagens sobrepostas, enganam os que pensam se tratar de um processo caótico de criação. Ao contrário, Galvão conta que tudo é metódico e cada elemento das composições surge numa associação de instinto visceral, sugestão e minúcia. Esses aspectos estão presentes tanto na linguagem do trabalho artístico como no trabalho de comunicação que ele cria como cartunista da Vida Besta – com um plus de humor ácido e autocrítica nas tirinhas. Vale seguir, e também conhecer as outras facetas de Galvão Bertazzi. Siga as produções autorais no Facebook. Para ver obras à venda, visite o acervo da Cor Galeria.


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O projeto editorial do blog Ateliê Criativo está passando por reformulações para melhorar a experiência de todos. Em virtude das adequações no projeto, a periodicidade das Exposições Virtuais foi temporariamente reduzida para edições bimestrais. Assim, teremos mais 3 edições neste ano! Siga a ZN Produtora Cultural no Facebook e acompanhe as novidades.

 

#13 Mundo Encantado | Nandinho

Valendo-se de simbolismos e poesia, Nandinho exprime com desenhos e pinturas a sua forma pura e particular de ver o mundo. Este Mundo Encantado de Nandinho, como ele mesmo batizou, é sua terra imaginária onde tudo é lúdico e sem malícia. 

Nandinho nasceu e cresceu na praia vendo os pais surfarem. Até que cansou de observar e caiu na água para se tornar surfista, situação que o levou a competir e conhecer diferentes lugares do mundo. Da mesma maneira como seguiu os passos dos pais no surf, Nandinho desde garotinho admirava a pintura das avós e começou a pintar com elas. Quando uma lesão no ombro lhe tirou a oportunidade de continuar surfando, a paixão pela pintura ganhou tempo e significado na vida dele. Então, o que a princípio era para ele uma fuga de problemas pessoais, pouco a pouco o ajudou a canalizar seus conflitos internos para tornar-se pura expressão. Sem poder surfar ele combinou os dois prazeres herdados de família, arte e surf, e pintou muitas pranchas de surf, e continua pintando também em suportes mais convencionais, como as telas que apresentamos nesta Exposição Virtual.

Buscando harmonia no seu próprio mundo, a sua arte ressalta um dualismo em uma realidade paralela onde o bem sempre vence o mal, duelo representado inclusive na assinatura das telas que é cortada por duas linhas paralelas levemente divergentes e o ponto central, que para Nandinho “representa a gente nessa batalha do bem e do mal”. A realidade é deformada segundo a percepção e estado de espírito, os traços são soltos, o colorido é brutal, a poética é pura.  

Para mostrar um pouco mais do Mundo Encantado de Nandinho nós fomos ao Parque Estadual do Rio Vermelho para acompanhar a evolução de um trabalho, enquanto Nandinho plantava uma flor no pinheiral. O resultado você vê nessas fotos. Clique para ampliar.

Curta página da ZN Produtora Cultural para receber informações sobre as próximas Exposições Virtuais. Visite a fanpage Espaço de Nandinho. Veja mais sobre o Nandinho no blog da Empty Clothing Co.

 

Floripa em sépia e preto-e-branco

Exposição Virtual em edição especial de aniversário de Floripa!

Tecnopolo e ao mesmo tempo cenário de bucólicas fazendas de ostra. Cosmopolita, e ao mesmo tempo provinciana. Esta é mesmo uma cidade cheia de peculiaridades e com uma história ímpar. A começar pelo nome, que gera controvérsias até hoje. “Florianópolis” pareceu apropriado para o deputado Genoíno Vidal, que em 1894 propôs mudar o nome da então “Desterro”, num contexto político muito conveniente, após os sangrentos episódios da Segunda Revolta da Armada. A proposta foi endossada pelo homenageado, o presidente Marechal Floriano Peixoto, e o nome foi trocado pelo governador do estado, Hercílio Luz.

Deixando de lado as controvérsias, as fotos que mostramos nesta Exposição Virtual contam um pouco da história da Ilha de Santa Catarina, em imagens que encantam tanto pelo registro histórico como pela sensibilidade de quem fez cada fotografia, tudo explícito em sutilezas capazes prender o olhar. 

Foi na fanpage Fotos Antigas da Grande Florianópolis, no Facebook, que vi pela primeira vez uma compilação espontânea e colaborativa de fotos históricas de Floripa. A fanpage é mantida por Pedro Eugênio, conhecido como Velho Lobo do Mar entre seus seguidores. Com colaboradores online, e uma boa dose de dedicação, Pedro Eugênio faz esse valioso trabalho de curadoria espontânea, sempre mostrando facetas pouco conhecidas de Florianópolis.

Aqui mostramos uma pequena seleção feita por meio de uma curadoria coletiva que conta com registros disponibilizados por Heike Weege no blog Fotos Antigas de Florianópolis. Nem sempre estão disponíveis informações precisas sobre as fotos, como o nome dos fotógrafos e o ano exato em que foram tiradas. Estão contextualizadas com informações cedidas pelo Velho Lobo do Mar, por Heike Weege, ou encontradas na rede. São bem-vindas quaisquer informações que possam esclarecer as imagens apresentadas.  Para fazer suas sugestões, veja o número da foto e preencha o formulário abaixo.

Todos tentam

Mas até agora ninguém conseguiu uma foto com uma perspectiva melhor do que essa da Ponte Hercílio Luz. ;]

"Equilibrista da Ponte Hercílio Luz", Lourival Bento, 1975. 

Nessa empreitada em prol da disseminação da história local também estão Instituições públicas como a Casa da Memória de Florianópolis. Inaugurada em 30 de março de 2004, a Casa da Memória de Florianópolis é um centro de documentação da vida social e cultural do município. O órgão reúne, restaura, organiza, preserva e divulga registros visuais, sonoros, bibliográficos e documentais relativos à história, à memória, à identidade e à produção cultural da cidade. Parte do acervo é composto de doações feitas pela população. Vale visitar e conferir os registros pessoalmente!

Feliz aniversário para a terra de Floriano, ou Nossa Senhora do Desterro, ou Ilha de Santa Catarina, ou Ilha da Magia, ou como você quiser chamar. Esta é uma terra linda e cheia de história. Sinto-me feliz em poder compartilhar a Ilha com vocês.

Agradeço ao fotógrafo Marco Cezar® , o pessoal da Casa da Memória de Florianópolis, a equipe do blog Fotos Antigas de Floripa,  e o Velho Lobo do Mar pela oportunidade de reunir estas imagens.

#11 Surf além da onda | Felipe Siebert

A Exposição Virtual retoma os trabalhos em 2014 em clima de muito calor em Floripa 

Para refrescar, vamos mergulhar no mundo do surf e conhecer um pouco das hollow wooden surfboards, pranchas ocas de madeira projetadas como cascos de barco, produzidas pela Siebert Woodcraft Surfboards.

Foi nos anos 30 que Tom Blake, um jovem salva-vidas californiano e atleta da natação, remo e surf, apareceu com esse design revolucionário de pranchas em madeira. Na época, o surf, esporte tradicional do Havaí e Polinésia, ainda era uma prática restrita a poucos nadadores no mundo e malvista pela sociedade. As pranchas ocas de madeira de Tom Blake foram o salto que o esporte precisava para conquistar novos adeptos: o peso reduzido lhes dava mais flutuação na água, e na terra o surfista podia carregar sua prancha sem muito esforço.

 
Tom Blake (1902–1994) (USA)

Tom Blake (1902–1994) (USA)

 

Felipe Siebert, shaper de Florianópolis, encara seu ofício com entusiasmo. No estúdio, com o irmão Fábio Siebert, designer, e uma equipe de colaboradores, resgata modelos consagrados de pranchas ocas dos anos 50 e 60. Na oficina, produz com madeiras leves certificadas seus próprios modelos, sempre evidenciando as características da matéria-prima. O processo é essencialmente artesanal e sustentável e o resultado são peças exclusivas, resistentes e bonitas, que remetem à história do surf clássico. 

Antes de ser um shaper-marceneiro, Felipe sempre foi surfista de paixão.  Não do tipo que se liga em competição, mas daquele que vive o esporte intensamente todos os dias, com um carinho especial pelas longboards e o surf old school. Autodidata, desenvolveu a técnica estudando o trabalho de shapers famosos como Tom Wegener e Grain Surfboards. Motivado pelo prazer e pela curiosidade, Felipe não hesita em pedir emprestada uma prancha que nunca tenha experimentado, pois gosta de ter “repertório” para aperfeiçoar seu trabalho.

Pranchas de diversos modelos, shapes de skate, e também estampas compõem a marca da Siebert Woodcraft Surfboard, parceira da Empty Clothing Co.

Visite o site e curta a página no Facebook.


Criativo de Florianópolis,

O blog Ateliê Criativo está com chamada aberta para Exposição Virtual, 2014. Se você é artista e mora em Florianópolis, mande sua proposta! Sem custo, sem burocracia. Veja como participar.